segunda-feira, 12 de abril de 2010

Mal acostumados estamos sendo nós

*NADJA NASCIMENTO

A vida informatizada que hoje nós levamos, me leva a uma longa e cansativa reflexão, e chego sem pestanejar a uma conclusão: a de que nos acostumamos com muita coisa, na qual não deveríamos. Por exemplo, nos acostumamos a não abrir as janelas para ver a luz do sol, a não ouvir o canto dos pássaros, porém não nos esquecemos de abrir diariamente nossos e-mails, Orkut’s, Facebook’s, Twitter... e a ouvir os nossos Ipods, MP3, MP4, 5,6,7....
E assim vamos nos esquecendo do sol, da brisa, da terra e de toda magnitude que a natureza possui. Dormimos tarde, acordamos cedo, estamos sempre com pressa, de mau humor, longe de casa e dos filhos, já não sabemos qual é a sensação de almoçar em família, o trabalho nos obriga a comer cada vez mais pão na hora do almoço e sozinhos! Acostumamos-nos a essa rotina estressante. Estamos acostumados e aceitando os jornais sangrentos, as notícias ruins, aos escândalos na política que se renovam a cada dia, aos números de mortos diariamente, aceitando não acreditamos que possa mais haver solução e não acreditando, deixamos de ajudar com nossa parcela de contribuição para um mundo mais justo.
Esperamos o dia inteiro o telefone tocar, mas ele não toca e chegando o fim do dia nos damos conta que temos muitos amigos virtuais e raros na vida real, mas nem isso nos encoraja a ligar primeiro, sem esperar que alguém nos ligue. Não sabemos mais receber um sorriso e se recebemos não sabemos retribuir, com medo de parecermos indiscretos. Acostumamo-nos a sermos ignorados, a evitar qualquer tipo de contato mais próximo, temos cada vez mais medo de relacionamentos sérios, vivemos a era do “ficar”, do prazer desenfreado, assim nos isolamos e nossos dias se tornam vazios e sem graça.
Vamos vivendo, nos acostumando a dizer que somos felizes.
Gastamos mais do que ganhamos, ganhamos menos do que merecíamos, pagamos mais do que as coisas valem, nos acostumamos a pagar sempre, por tudo e ás vezes por todos, que precisamos. Engolimos a publicidade, os anúncios, a mídia, nos tornamos fúteis e consumistas, mas não damos esmolas, nem ajudamos instituições de caridade, porque queremos acreditar que nosso dinheiro não será empregado e se for não o farão como deve ser feito. Passamos a nos habituar com a poluição, com o aquecimento global, com as letras banais das músicas, com a falta de cultura, com os produtos industrializados na lancheira das crianças, com as adolescentes grávidas, achamos tudo normal e que nada mais pode ser feito!
O ser humano se acostuma demais para não bater de frente, com medo de sofrer, os animais migram em busca de melhores condições para sobreviverem e nós? Acostumamos-nos a não lutar pelos nossos direitos e frequentemente de ouve “deixa para lá”, estamos sempre vendo, não vendo, ignorando a situação para nos pouparmos, evitando as feridas que marcam positivamente nossa existência, poucos foram os heróis de cada época, que não fizeram desta vida uma mera passagem. Estamos vendo o mundo passar, no camarote que é nossa cadeira em frente ao computador, nos tornando mero espectadores nesse espetáculo chamado vida.

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